quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Jornalismo de ontem e de hoje

Muito se discute hoje sobre o futuro do jornalismo por conta do surgimento das novas tecnologias e das facilidades que elas trazem para o cotidiano. O jornalismo de antigamente seguia uma linha mais tradicional, onde o jornalista corria atrás da notícia e farejava os assuntos até dissecá-los por completo (ou tentava, pelo menos). Nesse processo, ele marcava entrevistas, extraía informações, aumentava a sua rede de relações interpessoais e conseguia fontes para que sua credibilidade pudesse ser construída aos poucos. Logo depois, o assunto era redigido e publicado no jornal do dia seguinte. Seguindo a linha do tempo, o assunto era discutido no outro dia, e seus desdobramentos seriam sentidos ao longo da semana. 
No jornalismo online, não há tempo para esperar. As informações cruzam-se e aparecem a toda hora. É um novo tempo, uma nova forma de se escrever e de fazer jornalismo. O texto agora é dinâmico e alguns termos podem levar a outros textos e outros links. O jornalista escreve para o agora, e não mais para o amanhã. O que talvez poderia surtir efeito no "jornal de amanhã', poderia já dar resultados no mesmo dia de publicação. Por isso dizem que o jornal impresso pode estar perdendo a sua "validade", pois as notícias de hoje são acontecimentos de ontem, e o ontem nos tempos modernos já é velho demais. 
Um filme que muito marcou a época do jornalismo impresso é "Todos os Homens do Presidente". Conta a  história do escândalo de Watergate, ocorrido em Washington, em 1972, que ganhou as primeiras páginas dos principais jornais do mundo. Bob e Carl são os dois jornalistas que vão a fundo investigar o que aconteceu no caso Watergate, e acabam descobrindo e passando por situações emblemáticas do jornalismo. Teorias como a Newsmaking e Agenda-setting são visivelmente notados. 



O filme retrata bastante sobre o "glamour" jornalístico que existia na época. O fato de os jornalistas saírem a campo para investigar e farejar a notícia, procurarem suas fontes e terem relações perigosas com elas. Não que ter relações perigosas com fontes seja pré-requisito, mas toda aquela importância dada a informação foi perdido com o tempo. Atualmente, o jornalismo não tem mais este glamour como demonstrado no filme, e o jornal impresso tenta sobreviver a todo custo, empenhando-se na convergência midiática. Ou seja, se o impresso era apenas aquele pedaço de papel que informava fatos de ontem, agora ele se integra a internet, ao rádio e a TV e tenta puxar vãos para que todas elas sejam contempladas como um todo. 
Recentemente, Rupert Murdoch, o magnata das comunicações nos Estados Unidos, lançou o The Daily,  seu primeiro jornal totalmente eletrônico e feito exclusivamente para o iPad. Talvez este seja o futuro do jornalismo eletrônico. Serão disponibilizadas plataformas de informação para tablets e os textos e imagens serão totalmente interativos, como já acontece com o jornal de Murdoch. Espera-se, pelo menos, que não se perca a essência e a responsabilidade de se escrever textos para um jornal. 

Um comentário:

  1. Caro Tiago,
    vamos dar oas próximos post um texto mais típico de blog, explorando as potencialidades da internet e tornando a leitura menos linear que a tradicional leitura do jornal impressso. Bom post.

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